14 de fev de 2007

Sobre "aquecimento global", "efeito estufa"...

José R. Ribeiro Filho (*)

O último Relatório da ONU, "Relatório de Paris", nos adverte que o homem é o principal agente responsável pela catástrofe planetária do aquecimento global devido ao efeito estufa. Logo pensamos que os governantes deveriam fazer isso ou aquilo, que deveriam existir leis ambientais mais severas em relação às emissões de gases causadores do efeito estufa, provenientes da queima de combustíveis fósseis (petróleo e derivados). Sim, todos pensam o que os outros ou o outro poderiam fazer...

O que falta realmente é consciência, atitude responsável e coerente de cada indivíduo, seja ele membro dos poderes públicos, agente formador de opinião (todas as mídias) ou simples cidadão comum, rico, pobre ou remediado.

Nesse contexto, me incluo como um ser, não o mais capacitado obviamente, mas não menos responsável, como qualquer outro que pretenda deixar alguma herança viva para as gerações futuras. E mesmo que minhas idéias representem migalhas para "salvar apenas algumas estrelas do mar", sei que poderão talvez proporcionar, quem sabe, mais alguns minutos de sobrevida ao "nosso" planeta, vítima de nós mesmos (de cada um).

Sabemos que existem transportes alternativos que muitas das vezes, mesmo que possíveis de serem utilizados por uma grande quantidade de pessoas, são simplesmente descartados por conta do simples e nocivo "conforto", que vitima o homem moderno, que desde a "revolução industrial" só procurou equipamentos e meios "confortáveis" e nocivos de viver o momento. Mas, inconseqüente como uma criança, parece que está talvez tardiamente chegando à adolescência e, não sabe se cresce ambientalmente de maneira sustentável ou se simplesmente ignora a constatação científica responsável e segue um curso sem destino vivo.

Este é um bom momento para criarmos uma cultura ciclística, sistematizando o uso sensato e adequado das bicicletas como um meio de transporte alternativo individual, em ciclovias bem pavimentadas e seguras. Existem várias regiões urbanas de topografia viável à implantação de redes de ciclovias perfeitamente integráveis aos sistemas viários já existentes.

É curioso, mas muitas pessoas não usam suas bicicletas como meio de transporte por achar que é perigoso andar de bicicleta no meio do trânsito, vejam que contra-senso. A bicicleta é um meio de transporte seguro, saudável, pacífico e não poluente.

É lógico que com o poder das mídias, um pouco de vontade política do poder público e o bom senso consciente de cada pessoa podemos alcançar um bom resultado na redução das emissões dos gases nocivos ao meio ambiente.

Uma outra idéia seria a criação de um sistema de conta combustível, a exemplo do que temos hoje como conta de luz, água e telefone. Uma sistemática de medição de quilometragem rodada por período. A princípio poderia ser um sistema voluntariado, que tivesse obviamente um bom incentivo fiscal ou outra compensação pecuniária, como vale transporte ou vale desconto em consumo de outro serviço de energia menos impactante ao meio ambiente, ou até mesmo um crédito em conta corrente...

É claro que deve se pensar num sistema que ofereça a devida segurança contra adulterações e custo operacional economicamente viável.

Também podemos pensar em sobretaxar os mais "queimadores" para financiar os meios alternativos.

Afinal, já é hora de cada um dar a sua contribuição para diminuir o efeito estufa e o aquecimento do "nosso" planeta.

Vamos andar mais de coletivos, de bicicletas, a pé, sempre que isso for possível. Pequenas distâncias e vias de trânsito tranqüilo não necessitam de mais um motor.

Já os nossos poderes públicos (nas três esferas) poderiam adotar uma política pública de infra-estrutura mais adequada para que as populações urbanas possam ter alternativas, inclusive para um transporte ciclístico e caminhadas (ciclovias de qualidade e pistas de "andagem"). Que acham?

* É bacharel em Ciências Náuticas pela Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante - CIAGA - Rio/RJ, capitão de longo curso da marinha mercante, especialista em Gerenciamento Ambiental pela Universidade Luterana do Brasil - Canoas/RS.


Nenhum comentário:

Postar um comentário