25 de mai de 2007

IPCC confirma necessidade de uma [R]evolução Energética contra mudanças climáticas

Terceiro relatório do painel de cientistas da ONU, divulgado recentemente em Bangcoc, se aproxima das propostas do Greenpeace para enfrentar o aquecimento global: mudanças nos hábitos de consumo das pessoas, investimentos em programas de eficiência energética e uso cada vez maior de fontes renováveis de energia, em substituição às fontes de combustível fóssil.

Os cientistas que discutiram em Bangcoc, na Tailândia, o terceiro relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês) não têm mais dúvidas: os líderes mundiais precisam adotar o quanto antes medidas políticas efetivas para evitar os piores impactos das mudanças climática no planeta. E essas medidas, afirmam, passam necessariamente por um cenário nos moldes do proposto pelo Greenpeace em seu relatório [R]evolução Energética – investimento em energia renováveis (em substituição ao combustível fóssil e nuclear), mudança nos hábitos de consumo das pessoas e adoção de programas de eficiência energética.


Os especialistas que redigiram o relatório “Mitigação das Mudanças Climáticas” apontam que adiar a redução nas emissões poderá acarretar inúmeros riscos ao planeta. É preciso agir agora, e com firmeza, para não sofrermos as conseqüências catastróficas de bruscas mudanças no clima – que já deram sinais de seu poderio nos últimos anos.

O documento do IPCC diz que as duas próximas décadas serão decisivas para determinarmos quais os impactos podem ser evitados. O cenário mais otimista apresentado recomenda um aumento médio da temperatura global abaixo dos 2oC – o que implicaria um corte de 50% nas emissões de gases do efeito estufa até 2050 em relação aos níveis de 1990.


Entre as principais opções apresentadas para reduzir as emissões de carbono estão o uso de energia renovável e eficiência energética, que devem praticamente dobrar sua participação no cenário energético mundial até 2030.

Por outro lado, o relatório indica que a energia nuclear deverá crescer apenas 2% até 2030, devido às restrições que a tecnologia apresenta nas questões de segurança, lixo radioativo e proliferação de armas nucleares.

“De todas as opções de geração de energia existentes atualmente, a nuclear é a mais cara de todas. No cenário brasileiro, investir em geração nuclear é um desperdício inaceitável de recursos públicos”, afirma Luís Piva, da campanha de Clima do Greenpeace Brasil. “Com os R$ 7,4 bilhões previstos para construir a usina nuclear de Angra 3, por exemplo, seria possível implementar um parque eólico com o dobro da potência, gerando 32 vezes mais empregos e eliminado os riscos de acidentes e problemas com lixo radioativo.”

Na questão dos biocombustíveis, de evidente interesse brasileiro, o IPCC projeta que tal tecnologia poderá ocupar de 3% a 10% da matriz do setor de transporte em 2030.

O Greenpeace lembra que, no caso do Brasil, a principal questão é deter o desmatamento da Amazônia, responsável pela maior parte das emissões brasileiras de gases do efeito estufa. Segundo a ONU, o desmatamento da floresta amazônica ocorrido entre 2000 e 2005 representa 42% da perda líquida de áreas florestais no mundo. Nesse período, 31 mil quilômetros quadrados de florestas foram perdidos a cada ano, incluindo todos os biomas. No total, cerca de 17% da Amazônia já foram desmatados, o equivalente a quase 700 mil quilômetros quadrados.

“O fator chave a ser ressaltado é a urgência nas ações. As tecnologias, informações científicas e os recursos necessários para implementar as soluções e minimizar os impactos já estão ao alcance dos líderes mundiais”, conclui Luis Piva. “Apenas a adoção de medidas concretas de redução das emissões poderá evitar as catástrofes previstas no relatório de impactos apresentado pelo IPCC no início de abril.”

Leia mais: Resumo comentado do terceiro relatório do IPCC

Jorge Cordeiro - Greenpeace

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