29 de mai de 2007

Monocultura do eucalipto expulsa homem do campo

Empregos gerados pelas grandes empresas de celulose são apenas temporários e reduzidos, se comparados com o tamanho dos investimentos, avalia coordenador da FASE.

A expansão das monoculturas do eucalipto no Brasil deve prejudicar os pequenos agricultores e gerar a expulsão dos trabalhadores do campo. A avaliação é do coordenador da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), Marcelo Calazans.

Ele avalia que os empregos gerados pelas grandes empresas de celulose, como Aracruz, Stora Enso e Votorantim, são apenas temporários e reduzidos, se comparados com o tamanho dos investimentos. A compra de grandes extensões de terra também gera impactos nos recursos naturais, que inviabilizam o trabalho no campo.

"Esse tipo de trabalho desemprega em massa. Onde entra eucalipto os índices de empregos são baixos, e as empresas mentem quando dizem que geram muito emprego. Essas plantações geram poucos empregos e em períodos muito reduzidos o que provoca uma clara expulsão do homem do campo", diz.

Para Marcelo Calazans, os pequenos agricultores que fazem parcerias com as empresas, vão ter prejuízos no futuro. Por ter raízes profundas, o eucalipto é difícil de ser extraído, dificultando, depois, o plantio de outras culturas.

"A reconversão desta área é de custo altíssimo e de tempo muito demorado. Esse é um grande problema que o camponês deve refletir é como depois ele poderá migrar para outra cultura? O que ele vai fazer com á área? Vai ter uma área toda cortada, cortes rasos, milhares de tocos sobre está área, o que ele vai plantar sobre isso?", afirma.

O coordenador da FASE acredita que muitos pequenos agricultores estão plantando eucalipto, em parceria com as empresas de celulose, por falta de alternativas.

"É uma lógica que no primeiro momento aparece uma alternativa, mas é uma alternativa do desespero é uma alternativa por falta de outras políticas agrícolas e agrárias do governo. Na medida em que o governo não oferece essas alternativas, não diversifica, não pensa a comercialização da agricultura camponesa, aí o eucalipto aparece como alternativa, mas é uma alternativa por falta de política", diz.

De acordo com a Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), as papeleiras que atuam no Rio Grande do Sul têm o objetivo de plantar lavouras de pínus, acácia e eucalipto em até um milhão de hectares no Estado.


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