3 de mai de 2007

Transgênicos aumentam o uso de agrotóxico

Dados do Ibama mostram que volume saltou de acordo com o avanço do plantio de soja.


São Paulo, SP - Matéria publicada em 23/04 no jornal Valor Econômico intitulada "Avanço da soja transgênica amplia uso de glifosato" evidencia o que o Idec e outras tantas organizações da sociedade civil e pesquisadores vêm alertando há cerca de 10 anos: o uso de transgênico não reduz, mas sim aumenta consideravelmente o uso de agrotóxicos. De acordo com dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) reproduzidos no texto, o volume saltou de 59,5 mil para 95,2 mil toneladas entre 2000 e 2005, período no qual a área plantada de soja avançou 59% no país.

No início das discussões sobre transgênicos, as ONGs foram, inclusive, acusadas de defenderem a indústria de agrotóxico pelo então ministro da Agricultura Marcus Vinicius Pratini de Moraes. A acusação levou o Idec e a ABONG (Associação Brasileira de ONGs) a pedirem explicações ao ministro, judicialmente, no Supremo Tribunal Federal, em agosto de 2000.

Charge publicada pela Agência Brasil de Fato.

A verdade incontestável é que as grandes empresas de biotecnologia também produzem e vendem agrotóxicos. É o caso da Monsanto, Bayer e Syngenta. Mais que ninguém, elas estão interessadas em manter ou, se possível, aumentar a comercialização de seus venenos.
A notícia veiculada no Valor Econômico traz ainda uma lamentável declaração do agrônomo Edilson Paiva - pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, doutor em biologia molecular e membro da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio)-, de que o glifosato "É um herbicida de classe menos tóxica e ajuda a reduzir o uso dos defensivos mais tóxicos. A vantagem na segurança alimentar é que os humanos poderiam até beber e não morrer porque não temos a via metabólica das plantas. Além disso, ele é biodegradável no solo".

Ao contrário da afirmação, o glifosato é um herbicida extremamente tóxico para humanos e animais e diversos estudos científicos o relacionam a uma série de efeitos adversos à saúde, como lesões em glândulas salivares, inflamações nas mucosas do estômago, danos genéticos (em células sanguíneas do corpo humano), efeitos reprodutivos (redução dos espermatozóides em ratos; maior frequência de espermatozóides anormais em coelhos), e carcinogenicidade (maior frequência de tumores no fígado de ratos e câncer de tiróide em ratas). Portanto, é, no mínimo, irresponsável a declaração de um cientista menosprezando os efeitos de um agrotóxico, sugerindo que os humanos poderiam até bebê-lo. O Idec gostaria muito de assistir o Dr. Edilson Paiva comprovando sua tese, tomando glifosato.

Texto do Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC).

Publicado em EcoAgência. 29/04/2007

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