24 de mai de 2008

Gestão Ambiental e Eleições 2008


RAFAEL FERNANDES*


Há vinte anos atrás, as grandes cidades começavam a enfrentar os primeiros problemas relacionados com a degradação ambiental. Temas como coleta e deposição de lixo, poluição industrial, degradação do ar por veículos automotores e precariedade dos recursos hídricos estimularam governantes a preocuparem-se com as questões ambientais. Hoje, até as cidades pequenas e não-industrializadas começam a ter suas primeiras reflexões sobre o assunto, estimuladas pelo enorme conteúdo ecológico que invadiu a mídia e conquistou a opinião pública. Preservar o meio ambiente passou a ser uma tarefa global, embora a ação seja local.
Em 2006, o jornal Armazém de Notícias publicou um artigo de minha autoria que tratava da necessidade do nosso município elaborar um plano de desenvolvimento de longo alcance, com enfoques na preservação ambiental e no aproveitamento econômico e sustentável do seu potencial turístico. No mesmo ano, a Secretaria Estadual de Turismo, Esporte e Lazer (Setur), constatou, segundo critérios técnicos de análise de potencial turístico, que Tapes está entre as cidades com as melhores atrações oferecidas aos seus visitantes. As possibilidades observadas nesse estudo retratam duas características espontâneas: um valoroso patrimônio ambiental e paisagístico e um setor de comércio e serviços em processo de desenvolvimento contínuo.


Nossa cidade possui recursos naturais cuja relevância é reconhecida mundialmente, como a Laguna dos Patos e os Butiazais de Tapes. Mas o que explica o fato de possuirmos tanto potencial e obtermos tão pouco benefício? Em grande parte, isso pode ser creditado a falta de planejamento. Não me refiro à elaboração de metas a serem alcançadas em quatro anos ou programas que atendam demandas pontuais. Necessitamos de um Planejamento Estratégico e Integrado de Desenvolvimento, capaz de orientar as ações de governo, estimular as políticas públicas e criar condições favoráveis ao empreendedorismo. Considerando o estágio atual de desenvolvimento econômico, a maturidade da nossa democracia e a urgência de revertermos o quadro de destruição do meio ambiente, não é mais aceitável que seja debatido o futuro da cidade sem que a Gestão Ambiental componha o cenário da Administração Pública. Nesse sentido, mesmo que eu não seja candidato nem a síndico do meu prédio, convido os interessados no assunto a elaborar uma proposta de governo para Área Ambiental. Essa proposta será apresentada a todos os candidatos nas próximas eleições com o objetivo de proporcionar o debate e gerar um comprometimento do mesmos através dos seus Planos de Governo. Aos especialistas de outras áreas importantes como Assistência Social, Trabalho e Geração de Renda, Segurança Pública e Saúde, sugiro que façam o mesmo.

* Graduando em Gestão Ambiental pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs). Contatos pelo email <rafael.uergs@gmail.com>.

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