12 de jul de 2008

Adoção do uso de papel reciclado em órgãos públicos

Estudante propõe uso de papel reciclado para parlamentares

Uma prova de que a educação pode ajudar a melhorar o nível de consciência socioambiental de alguns cidadãos e a forma como estes interagem em suas comunidades é o exemplo da atitude realizada pelo estudante do curso de Gestão Ambiental, da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), Rafael Fernandes, 28 anos.

A iniciativa individual de Rafael consiste em enviar, através da Internet, uma carta para os parlamentares brasileiros com a finalidade de incentivá-los a adotarem o uso de papel reciclado em seus gabinetes e órgão públicos. A estratégia do estudante é estimular a troca gradativa de papel branco por papel reciclado.

“Eu vi nessa proposta um meio eficaz para que a relação entre as quantidades consumidas de papel clorado e papel reciclado pudesse ser mais equilibrada. Isso também pode refletir o preço que o papel reciclado chega até os consumidores conscientes”, diz Rafael.
A falta de conhecimento, segundo o estudante, por parte de alguns prefeitos “sobre a problemática ambiental envolvida no uso do papel clorado” foi outro argumento que o motivou a tomar essa atitude.

Leia, abaixo, a resposta de Rafael quando questionado sobre o que ele pensa sobre a forma como essa prática pode ajudar na questão da sustentabilidade ambiental?

“A maioria das iniciativas que visam o consusmo sustentável, contribuem para preservação da vida no Planeta de forma associada a outras práticas. No caso do uso papel reciclado, assim como outros materiais reciclados, o benefício é direto. O processo de branqueamento do papel produz dioxinas que integram o grupo dos poluentes orgânicos persistentes (POPs). Esse tipo de poluição é altamente tóxica e pode se disseminar pela água e pela atmosfera. Se atinge o Homem, pode provocar câncer e outras doenças. Sem falar no consumo de árvores que, ainda que plantadas especificamente para produzir papel, contribuem para a perda da biodiversidade.

Temos ainda um grande despreendimento de energia e de água no processo. Todo esse conjunto de impactos ambientais negativos é reduzido pelo simples gesto de adotar um produto de qualidade semelhante, porém reciclado. Estima-se que a Prefeitura da minha cidade (Tapes/RS, com 16.500 habitantes) consuma 40 mil folhas de papel por mês. Imagine se todos os órgãos públicos do País se propusessem a isso. A vantagem seria imensurável.”

Iniciativas como esta indicam o comprometimento de alguns cidadãos com as questões relacionadas à sustentabilidade ambiental e a possibilidade de continuidade de vida em nosso Planeta.

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Matéria publicada no Site Observatório Ambiental. Texto de Heverton Lacerda.

Clique aqui para acessar a matéria original.

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Abaixo, leia (na íntegra) a carta enviada aos parlamentares:

Prezado Senhor Chefe do Poder Executivo,
Prezado Senhor Presidente de Casa Legislativa,
Prezado Senhor Legislador,

Venho através dessa correspondência eletrônica, com enorme respeito, discorrer sobre a importância da adoção do papel reciclado no material de expediente dos órgãos públicos. Devemos considerar que o Estado, nos seus vários níveis e serviços, pode contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de responsabilidade ambiental e cidadania, aferíveis não só pela prática, mas também pelo exemplo. A fabricação de papel clareado com cloro remete a diversos problemas resultantes do processo de fabricação (como o consumo de matérias primas, de energia e de água), em especial, destaca-se a produção de dioxinas que integram o grupo dos poluentes orgânicos persistentes (POPs). Essas substâncias altamente tóxicas podem se disseminar pela água e pela atmosfera. Se atingem o Homem, podem provocar câncer e outras doenças.

Com a adoção do uso do papel reciclado e não clorado nos seus materiais de expediente e publicações, os órgãos públicos, pelo seu peso e responsabilidade, assumem um importante protagonismo na difusão de medidas de impacto ambiental positivo, tornando-se referência frente às demais instituições e aos cidadãos. Outra medida de grande valia é a utilização, sempre que possível, em frente e verso, o que pode representar uma redução significativa do desperdício.

Hoje o papel reciclado, devido ao constante aperfeiçoamento tecnológico, substitui o papel branco e clorado sem nenhuma defasagem do ponto de vista da qualidade e do tempo de trabalho e manuseio. No aspecto econômico, temos uma grande barreira a superar. Nos últimos anos a diferença de preço entre o papel reciclado e o papel branco e clorado tem diminuído muito. Através de processos licitatórios e aquisições em quantidades razoáveis é possível que essa diferença torne-se irrelevante. Ainda assim, toda a diferença de preço, por menor que seja, deve ser subjugada à enorme vantagem ecológica que o papel reciclado pode conferir. Nesse sentido, ressalva-se, ainda, que a adoção desse produto pelos órgãos públicos e por um maior número de cidadãos, implicará numa nova situação de mercado, interferindo também nos preços.

Pelos motivos e expectativas expostos, recomendo o uso do papel reciclado e não clorado nos materiais de expediente e publicações de todos os órgãos do poder público. Essa carta será encaminhada, por meio eletrônico (visando a economia de papel), a todos os Chefes de Poder Executivo, Presidentes de Casas Legislativas e Legisladores, em todos os níveis e em todos as Unidades Federativas do País. Essa recomendação consiste numa ampla mobilização para que os agentes públicos utilizem os recursos públicos em prol do meio ambiente, partindo de uma iniciativa simples e eficaz – a adoção do uso de papel reciclado e não clorado. Em anexo, segue uma minuta de Projeto de Lei e uma minuta de Resolução Legislativa destinadas à formulação de normas que estabeleçam a adoção gradativa do uso do papel reciclado e não clorado, numa proporção de 25% ao ano, de forma a abolir a utilização de papel clareado a cloro num prazo de 4 anos.

Certo da sua compreensão e confiante no seu bom senso, coloco-me à disposição para maiores esclarecimentos.

Atenciosamente,

Rafael Fernandes
Graduando em Gestão Ambiental
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul
Pólo em Tapes (RS)

Notas:

1) O conteúdo dessa mensagem, bem como seus anexos, pertencem exclusivamente ao remetente e aos seu destinatário. Não é permitida sua reprodução, distribuição ou publicação, no todo ou em parte, sem autorização prévia do remetente. As minutas poderão ser usadas, de acordo com a sua finalidade, desde que adaptadas à realidade decada situação.

2) Caso você exerça a função de Assessor Parlamentar e tenha interceptado esse email, solicito levar o seu conteúdo ao conhecimento do titular do mandato eletivo.

3) Antes de imprimir, veja se é realmente necessário. Utilize papel reciclado e ajude a preservar o meio ambiente.

Quem tiver interesse de colaborar com a iniciativa, pode enviar um e-mail para < viracao@gmail.com > com uma lista de endereços eletrônicos de políticos.

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