10 de jun de 2009

ONGs mundiais se unem pelo clima


Coalizão de organizações apresenta proposta de tratado para o acordo de Copenhagen, que sucederá o Protocolo de Kyoto, no final do ano, resultado de mais de um ano de trabalho.

Por Redação do Greenpeace*

Especialistas em mudanças climáticas de organizações não governamentais de todo o mundo apresentaram terça-feira (09/06) em Bonn, Alemanha, um tratado para servir de referência jurídica ao acordo climático global que será firmado em Copenhagen no final do ano. O documento mostra como as principais diferenças entre países pobres e ricos podem ser superadas no novo acordo.


O “Tratado do Clima de Copenhagen” tem 160 páginas é o resultado de mais de um ano de trabalho de alguns dos mais experientes especialistas sobre assunto. O documento que será distribuído aos negociadores dos 192 países reunidos na Alemanha (Bonn) conta com um texto jurídico completo que abrange os principais elementos necessários para fornecer ao mundo um acordo justo com metas ambiciosas que mantenham as mudanças climáticas abaixo dos níveis aceitáveis identificados pela maioria dos cientistas.

“O que está no centro deste tratado é a sustentabilidade do planeta, o modelo de desenvolvido econômico vigente e a vida de milhões de pessoas que sofrerão os impactos das mudanças climáticas e que poderão pagar com suas vidas pela falta de compromisso dos líderes mundiais”, disse o diretor executivo do Greenpeace, Marcelo Furtado. “Esse tratado é exatamente o acordo que o mundo está esperando. O Brasil poderia liderar esse movimento, se comprometendo inclusive com meta de redução de emissões de 40%”, afirmou.

O documento descreve o caminho que o mundo deve percorrer para evitar uma mudança climática catastrófica. Reconhece que o aumento médio da temperatura global deve ser mantido bem abaixo dos 2 graus Celsius e estabelece um limite máximo global sobre as emissões. O tratado explica com detalhes como os países industrializados e em desenvolvimento podem contribuir para a segurança do planeta e seus habitantes, de acordo com suas possibilidades e responsabilidades. O documento mostra ainda como os mais pobres e mais vulneráveis podem ser protegidos e compensados. O conteúdo do tratado foi construído com base nas propostas oficiais apresentadas pelos próprios países.

"Esta é a primeira vez na história que uma coalizão de grupos da sociedade civil dá um passo tão importante como esse. Juntos, produzimos o documento jurídico mais coerente até agora, mostrando soluções equilibradas e possíveis, baseadas na equidade e na ciência", disse, do Kim Carstensen, da WWF Internacional.

O Tratado propõe um acordo jurídico constituído composto por três partes: Protocolo de Kyoto atualizado, para reforçar as obrigações dos países industrializados; um novo Protocolo de Copenhagen que exija um compromisso jurídico dos Estados unidos e aponte caminhos para de uma economia de baixo carbono nos países em desenvolvimento, apoiados pelos países desenvolvidos; um conjunto de decisões que estabeleça as bases de negociações para os próximos três anos.

O Tratado do Clima de Copenhagen foi proposto pelo Greenpeace, WWF, IndyACT – a Liga independente dos Ativistas, Germanwatch, Fundação David Suzuki, Centro de Ecologia Nacional da Ucrânia e especialistas independentes de todo o mundo.

>> Leia o Sumário Executivo do Tratado do Clima de Copenhagen.

*Fonte: EcoAgência e Greenpeace - Quarta-feira, 10 de Junho de 2009.


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