27 de ago de 2009

Lobo-guará encontrado no Pampa gaúcho


Registro de um lobo-guará no pampa gaúcho, que não era visto no Estado desde os anos 70, reacende esperança de biólogos na luta pela sua preservação

O lobo-guará é uma das 261 espécies ameaçadas de extinção no Estado. Desde a década de 70, a presença do animal não era registrada no Rio Grande do Sul. A história, porém, começou a mudar em junho deste ano, quando o biólogo Leandro Chisté Pinto fotografou um lobo-guará na região de São Gabriel, no centro do Estado.

A descoberta aconteceu durante um estudo de impacto ambiental em uma plantação de eucaliptos. Em meio à pesquisa, Pinto encontrou vestígios da existência do mamífero. Além da presença de pegadas, o biólogo fez uma análise das fezes encontradas no local e deduziu que talvez ali pudesse registrar a presença de um lobo-guará. A imagem foi captada com a ajuda de armadilhas fotográficas. Pinto espalhou pela área câmeras que disparam a qualquer sinal de movimento.

– Muita gente já considerava o lobo-guará regionalmente extinto. Quando revelei as fotos, nem eu consegui acreditar – relata o pesquisador.

A comunidade científica ficou alvoraçada com a descoberta.

– O lobo-guará está criticamente ameaçado. Esse registro é muito importante para iniciar tentativas de preservar a espécie – afirma Márcia Jardim, bióloga da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul.

O lobo-guará está no nível mais alto de ameaça de extinção no Rio Grande do Sul. Seu desaparecimento está ligado a dois fatores: à destruição dos ambientes onde habita e à caça.

– Como é um predador, o lobo-guará sofre muita perseguição por atacar criações domésticas – relata Márcia.

Mesmo com o registro do animal no Estado, ainda há muito a ser feito. No Rio Grande do Sul, pouco se conhece sobre sua biologia básica, seus hábitos e os locais onde habita. Segundo Pinto, todos os estudos sobre o lobo-guará se concentram no centro do país, principalmente em Mato Grosso. No Estado, os registros do animal datados da década de 70 dão conta de que habitava locais como a Serra do Caverá, em Alegrete, e os Campos de Cima da Serra. De posse do registro de que ele está no pampa gaúcho, o biológo vai buscar, junto a órgãos de financiamento, recursos para estudar as características do animal. Com uma pesquisa, será possível propor ações de preservação da espécie. Medidas de conservação da área e educação ambiental nas cidades próximas estão entre elas.

– É preciso adotar ações de salvaguarda para que a população se mantenha e venha a crescer. Agora que existe o registro, ações desse tipo são urgentes – adverte Pinto.

_____________________________________

O lobo-guará

É o maior lobo da América do Sul e integra a categoria de canídeos, que inclui os cães, os lobos, raposas, entre outros. Habita ambientes abertos, como cerrado e campos. Apesar do grande porte, alimenta-se predominantemente de pequenos e médios animais, como aves, ratos e tatus. Também come frutos e ajuda a espalhar sementes. É extremamente sensível a interferências humanas, desaparecendo mesmo de regiões escassamente habitadas.

AS CATEGORIAS DE AMEAÇA

Regionalmente extinta – Quando não há dúvidas de que o último representante da espécie no Estado morreu ou desapareceu. No Rio Grande do Sul, duas aves estão regionalmente extintas: a arara-azul pequena e o maracanã (ave).

Provavelmente extinta – Quando não é encontrado nenhum exemplar da espécie na sua área de ocorrência histórica. No Estado, são nove espécies, entre eles a ariranha (mamífero com cauda em forma de remo), o jaó do litoral (ave), o falcão do peito vermelho e o gavião real.

Criticamente em perigo – Espécies sujeitas a um risco extremamente alto de extinção em um futuro imediato. São 43 espécies ameaçadas, como o peixe anual, a galinha do mato, o pica-pau-de-cara-amarela, o cervo do Pantanal, a onça-pintada, a anta e o lobo-guará.

Em perigo – Não estão criticamente ameaçadas, mas com risco muito alto de extinção. No Estado, 73 espécies estão nessa categoria.

Vulnerável – Correm alto risco de extinção a médio prazo. No Rio Grande do Sul, são 132 espécies.

Fonte: Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul
_______________________________________

Publicado originalmente pelo Jornal Zero Hora (Porto Alegre/RS), no dia 27 de agosto de 2009 - Caderno Ambiente.


2 comentários:

Anônimo disse...

tbm sei que existem lobos guaras na costa do rio ibicui na cidade de itaqui,tem ate boatos de que os guardas da ponte os tratao e eles sao bem manços,qualquer maior informaçao entrar em contato.dudubes@hotmail.com

Anônimo disse...

Esses animais existem ainda na fronteira oeste. Em Alegrete, no Ibirocai, região onde há muito mato, eles são avistados principalmente em épocas de enchente.

Postar um comentário