21 de jan de 2010

A praga das pessoas


por Rafael Fernandes*

Ao desenvolver a Teoria de Gaia, o cientista inglês James Lovelock sustentou a ideia de que o planeta Terra é um gigantesco organismo vivo, que se autorregula e abrange todas as formas vivas existentes (inclusive os seres humanos). Admitindo que a Teoria de Gaia seja plausível, podemos classificar o quadro global de devastação ambiental como uma doença crônica desse superorganismo, assim como o aumento da temperatura no planeta pode ser comparado ao estado febril de uma pessoa.

Quando uma doença se abate sobre um organismo, pode ocorrer um entre três resultados: a remediação, que resultará na destruição dos patogênicos invasores; a infecção crônica, que levará à morte do hospedeiro (e, consequentemente, do invasor), ou, ainda, a construção de uma relação mutuamente vantajosa entre invasor e hospedeiro, conhecida na biologia como simbiose. A Terra é um ser agonizante porque os seres humanos comportam-se como micro-organismos patogênicos e, à medida que nossa ação destruidora aumenta, os efeitos patológicos tornam seu estado irreversível.

Resta saber o que nos afasta da ideia de cooperar com o nosso planeta. Recentemente, na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), realizada em Copenhague, as lideranças mundiais demonstraram o quão longe estamos de viver em harmonia com Gaia. A nossa convivência em sociedade deixa claro o quanto podemos ser inteligentes como indivíduos e o quanto somos limitados, ignorantes e grosseiros como coletivo. De certa forma nossas “qualidades” coletivas refletem-se nas pessoas que escolhemos para nos representar e, a partir disso, não surpreende a falta de resultado em Copenhague, a miséria do Haiti, os escândalos na política, os conflitos armados e a febre de Gaia.

* Artigo publicado pelo jornal Zero Hora em 21 de janeiro de 2010 (Edição nº 16.222; p. 26) e pelos sites: Tapes.com.br, Os Verdes de Tapes e BioDigital (Portugal).



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