9 de set de 2010

Universalização da Internet e analfabetismo funcional

Universalização da Internet e analfabetismo funcional¹

O uso do computador e da Internet só traz proveito direto para quem tem um mínimo de instrução. Quem não sabe ler e escrever, pouca utilidade consegue extrair destas fantásticas ferramentas. Não é só o analfabeto que não tem proveito com a leitura e a escrita.

Em 1978 a UNESCO adotou o conceito de alfabetismo funcional. Assim, é considerada alfabetizada funcionalmente a pessoa que for capaz de utilizar-se da leitura e da escrita para fazer frente às demandas de seu contexto social e de continuar o aprendizado e o desenvolvimento ao longo da vida. De acordo com a pesquisa Indicador Nacional do Analfabetismo Funcional², realizada em 2009 pelo Instituto Paulo Montenegro, 21% da população brasileira acima de 15 anos possuem habilidade muito baixa pois só são capazes de localizar informações simples em enunciados com uma só frase (Nível 1); outros 47% só possuem a habilidade básica, só sendo capazes de localizar informações em textos muito curtos (Nível 2) e apenas 25% da população possuem habilidade plena, sendo capazes de ler textos mais longos, localizar mais de uma informação, comparar a informação contida em diferentes textos e estabelecer relações diversas entre elas (Nível 3).

Assim, a universalização da Internet só trará proveito direto e imediato aos 26% da população brasileira que têm entre 15 e 64 anos, que são considerados alfabetizados funcionalmente, conforme os dados da pesquisa citada. Não se deve esquecer, porém, do grande contingente da população até 15 anos que não foi objeto da pesquisa escolar, que, com exceção dos que estão na primeira infância, estão, quase todos, na escola. Vê-se, então, que a escola brasileira deve melhorar muito, para deixar de formar analfabetos funcionais. Sem a melhoria da escola, não há salvação. Se a população brasileira não for capaz de ler e entender o que está escrito, será muito difícil promover a inclusão, seja social, seja digital ou qualquer outra.

Internet e analfabetismo, segundo a PNAD 2009³

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2009 (PNAD 2009), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o país apresentou crescimento significativo no aumento no número de lares que possuem internet. Em contrapartida, a pesquisa revelou pequena redução no número de analfabetos no Brasil.

A PNAD 2009 indica uma taxa de analfabetismo de 9,7% no ano passado, uma leve dimunição em relação aos 11,5% registrados em 2004. O número de pessoas com dez anos ou mais que de idade que declarou ter utilizado a internet no ano passado soma 67,9 milhões, um salto de 21,5% ante 2008, o que representa um acréscimo de 12 milhões de novos usuários da Web nesse período. Comparando-se com o número de usuários de 2005, que girava em torno de 31,9 milhões pessoas, houve aumento de 112%. A fatia de domicílios com internet cresceu de 23,8% do total em 2008 para 27,4% do total em 2009.

¹ Texto extraído de: VEDANA, Vilson. A internet como um serviço público municipal. Estudo. Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados. Brasília: Câmara dos Deputados, 2005. Os índices do INAF foram atualizados do ano de 2005 para o ano de 2009.

² Indicador Nacional do Analfabetismo Funcional (INAF), desenvolvido em parceria pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa mede a capacidade de leitura, escrita e habilidade de cálculo da população brasileira. Relatório INAF 2009: <www.ibope.com.br/ipm/relatorios/relatorio_inaf_2009.pdf>, tamanho do arquivo: 698 KB.

³ A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) investiga anualmente, de forma permanente, características gerais da população, de educação, trabalho, rendimento e habitação e outras, com periodicidade variável, de acordo com as necessidades de informação para o País, como as características sobre migração, fecundidade, nupcialidade, saúde, segurança alimentar, entre outros temas (Fonte: IBGE).

Nenhum comentário:

Postar um comentário