13 de out de 2010

Lixão das Camélias - Butiazais de Tapes

Abaixo, publicamos o artigo veiculado no site Geografando, mantido pelos alunos do curso de Geografia da UFRGS, Almiro Brzezinski, Fabrício da Silva Caetano e Vicente de Seixas Grimberg. A publicação original, com fotos do local, encontra-se neste endereço (clique no link).

"Neste último sábado (09/10), estivemos em Tapes/RS, no Lixão das Camélias, para a realização de visita técnica para Seminário de Geomorfologia e para conhecer a realidade daquela comunidade que, há décadas, convive com esse verdadeiro drama ambiental, que conta com a conivência das autoridades responsáveis municipais e estaduais (leia-se Prefeitura e SEMA/FEPAM).

O que pudemos ver é revoltante, pois o Lixão das Camélias não conta com as mínimas condições de manejo dos resíduos e disposição final que a legislação preconiza, representando um grande risco e passivo ambientais para com as comunidades da região, flora e fauna. O mais agravante é que a área situa-se próxima aos Butiazeiros de Tapes¹, uma região de conservação e de importância imensurável para o ecossistema.

Constatamos ainda que as caixas de inspeção do chorume estão transbordando e, através de “drenos” (valetas abertas no pátio no entorno das caixas), este percolado é guiado em direção ao campo e desemboca em um açude próximo ao local. Ainda constatam-se diversas casas que utilizam poço para coleta de água de consumo no perímetro próximo ao local e que estão à mercê das águas subterrâneas contaminadas pelo chorume.

Como se não bastasse, com relação às questões legais, o aterro funciona sem licença desde 2006 (mas a placa da FEPAM continua no local), e a Prefeitura realizou acordo para recuperação da área, ainda que não tenha protocolado nenhum processo para isso junto ao órgão ambiental competente (FEPAM). Para completar, no dia da visita, estava sendo realizada uma terraplanagem no local, onde estão preparando novas células de disposição, utilizando antigos materiais de células já fechadas como taludes e para realizar a cobertura das células futuras.

Na ocasião, contamos com o apoio de Júlio Wandam, do movimento “Os Verdes de Tapes”, que vem lutando há muito tempo para a regularização da área junto às estâncias legais e fechamento do lixão, considerando seu alto impacto ambiental gerado.

A pergunta que fica é: quem está ganhando com isso tudo? Por diversas vezes Ministério Público atuou no caso, mas a FEPAM, junto com a Prefeitura, mostra-se conivente com a questão, através de TAC’s (Termos de Ajustes de Conduta) que não saem do papel e que, pelo contrário, agravam o problema. Continuamos monitorando a situação e nos fazemos solidários aos amigos da região no combate a esse absurdo ambiental, com a realização de divulgação de notícias e resultados; com a promoção de discussões sobre o tema; e com tudo o que estiver ao nosso alcance, no intuito de que situações como essa não se tornem cotidianas em nosso Estado.
"

¹ Definida em estudos da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul e do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira - Probio/MMA, publicados em 2007 e 2008, como Região dos Butiazais de Tapes e seus ecossistemas associados.

Veja a matéria completa em: http://www.geografando.com.br/blog/?p=285

No dia 13 de outubro, quem visitou o local foi a equipe da TV Bandeirantes. CLIQUE AQUI e leia a matéria publicada por Os Verdes. CLIQUE AQUI e assista a matéria veiculada no Band Cidade.

No dia 19 de outubro, o Lixão foi visitado pela RBS TV. CLIQUE AQUI para ver matéria veiculada no RBS Notícias do mesmo dia.


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