1 de jun de 2012

Esvaziamento intelectual da política



A fase de escolha dos candidatos e a formação de coligações, que antecede a campanha eleitoral, deveria ser um momento político importante. No entanto temos visto que esta etapa é de um esvaziamento intelectual que acaba se refletindo negativamente no desenvolvimento social e humano das nossas cidades. Aqueles que pleiteam cargos públicos, geralmente buscam realizações pessoais que consideram prioridades maiores que o bem-estar social da sua comunidade ou mesmo mais urgentes que a necessidade preemente que temos de ampliar o nível da nossa democracia, fazendo com que os mandatos legislativos e executivos sejam representação políticas dignas da confiança da nossa sociedade. As discussões partidárias, protagonizadas por nossos líderes, priorizam um pragmatismo sem critérios e sem limites, onde a ocupação de espaços políticos nos atuais e futuros governos, o tempo da propaganda política obrigatória em rádio e televisão e o aparato financeiro mobilizado por alguns candidatos, com recursos cuja origem muitas vezes se desconhece, estão colocados acima de qualquer discussão acerca de um programa de governo que possa articular as diferentes visões e discussões que afloram em nossa sociedade.

Descontadas raríssimas exceções, percebe-se que os políticos preferem o "eu quero" mais do que o "eu penso que é o melhor para todos". Em meio a esta situação, muitas vezes embaraçosa, existem pessoas que pensam e agem de forma diferente. Quem acredita no Estado como meio para organizar a sociedade e na política como meio de pleitear as mudanças necessárias em nossas comunidades, necessita de muita paciência e perseverança para manter o diálogo com pessoas que não usam nenhuma dialética, ignoram regras básicas de etiqueta – como a cortesia e o respeito - e não possuem o hábito de lidar com diferentes ideias, visões de mundo, compreensões políticas e ideologias.

Não é equivocada a afirmação de que nossa sociedade é despolitizada. E que nossos representantes são forjados em um sistema político-eleitoral em que a principal característica é a despolitização. Difícil é reconhecermos que os representantes despolitizados são aqueles que acabem se envolvendo em escândalos, que desviam recursos da saúde e da educação, que compram votos, que fazem pequenos favores para seu eleitor em troca de apoio, que empregam parentes e que deixam o povo com cada vez menos interesse pela política. Se isto fosse fácil, reconheceríamos que o pior tipo de político é o despolitizado - e é o que mais tem.

Rafael Fernandes (tecnólogo ambiental, pequeno empresário e servidor público).


O ANALFABETO POLÍTICO

de Bertold Brecht


O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

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